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Testemunho de intercessão

América do Norte

Aggie Neck 1

«Interceder, pedir a favor de outro, é, desde Abraão, próprio de um coração conforme à misericórdia de Deus. No tempo da igreja, a intercessão cristã participa da de Cristo: é a comunhão dos santos. Na intercessão, aquele que ora procura “não o seu próprio interesse mas o dos outros”, até ao ponto de pedir pelos que lhe fazem mal» (CIC 2635)
Existe, especialmente nestes dias, a necessidade de interceder por muitas coisas. As coisas que dantes eram sagradas e que agora são rejeitadas, espezinhadas, completamente esquecidas ou ignoradas.
Anualmente, na sexta-feira anterior à quarta-feira de Cinzas, todos os grupos do Renovamento nos Estados Unidos unem-se num dia de oração e jejum. Este dia foi estabelecido, há alguns anos, na reunião anual dos CNS de todos os grupos do Renovamento. A revista do Renovamento “Pentecostes Hoje” publica, no número de Janeiro, a data deste evento e um “guia de oração” que indica os temas pelos quais interceder. Deste modo, o Renovamento apresenta a informação e as intenções a todos os grupos de oração. No mês de janeiro passado, a intenção para este dia dizia: “Que muitos sejam inspirados a unir-se no Dia de Oração e Jejum, a 4 de março de 2011, sexta-feira anterior à Quarta-feira de Cinzas, pelo Renovamento Carismático e para que a Igreja do nosso país seja renovada com a graça de Pentecostes”.
Existe um dia Nacional de Oração, nos princípios de maio de cada ano, em que as pessoas de todas as denominações se unem para orar pelo nosso país. Cada Estado e muitas cidades e povoações realizam as suas próprias reuniões. Os grupos do Direito à Vida unem-se em cada mês de janeiro para um Dia Nacional de Intercessão, com oradores que conduzem orações para pôr fim ao aborto. Há também uma marcha através das ruas. O objetivo é levar isto ao conhecimento público para orar pelo fim do aborto.
“Combate até à morte pela verdade e o Senhor Deus lutará por ti” (Si 4, 28)
A intercessão também implica proclamar e pôr em evidência o mal entre nós e ajudar os outros a ver as coisas que não estão bem. Há muitas capelas de adoração onde os fiéis se reúnem para orar e interceder por múltiplas intenções. Os grupos do Rosário são também uma presença forte de intercessão.
No ano passado, a nossa diocese celebrou o 100º aniversário da mudança da cúria diocesana para o seu local atual. Houve celebrações em cada vigararia da diocese. Na nossa, houve uma procissão eucarística. As pessoas reuniram-se na igreja para um momento de oração. Depois, o nosso bispo conduziu a procissão até à praça do Palácio da Justiça, no centro da cidade, onde dirigiu as orações e intercessões. Foi uma celebração esplêndida.
No ministério da casa de oração, onde sou diretora, tem havido alturas em que damos voltas de carro pela cidade e rezamos. Intenções pelas quais temos orado: pelos dirigentes, pelos nossos e por todos em geral; pelo derrube dos muros, pela presença do mal entre nós; por um reavivar e um envio do Espírito Santo; pela unidade entre as igrejas; pelos nossos sacerdotes, pastores e ministros; temos pedido pelas famílias, pelas crianças, pelas escolas, pelos presos; pelo desenvolvimento económico, por boas oportunidades de negócio para a nossa comunidade. Tem dado muito fruto.
Um dia, chegou à nossa cidade um grande mal, não disfarçado mas patente e à vista do público. Surgiram três lojas de pornografia, cada uma com artigos diferentes. Uma estava situada do outro lado da rua, frente à escola secundária local. Sacerdotes e ministros, bem como cidadãos foram à Câmara protestar mas foi inútil. Aprovaram uma lei que proibia a abertura de novos locais, mas os que já existiam podiam permanecer. Não tínhamos recursos, assim começamos todos a interceder. Fomos a esses lugares, paramos e saímos do carro e pusemos sal bento e água benta nas entradas. O nosso pedido de oração era para que Deus derrubasse o bastião do mal que estava presente. Estes lugares fecharam um a um e não puderam reabrir em virtude da lei que tinha sido aprovada.
“Pois todo aquele que nasceu de Deus vence o mundo. E este é o poder vitorioso que venceu o mundo: a nossa fé. E quem é que vence o mundo senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?” (1Jo 5, 4-5)
A nota de pé de página a esta passagem diz: “A fé prática deste tipo confere um poder que conquista o mundo do mal, assim como Cristo venceu o mundo”
Fomos chamados a ser as sentinelas na muralha, uma chamada de João Paulo II aos jovens. Mas não são apenas os jovens que são chamados, mas também todos aqueles que professam ser seguidores de Cristo. É a missão de todos os cristãos.
“É fácil entregar uma multidão nas mãos de poucos; para o Deus do Céu não há diferença entre salvar com uma multidão ou com um punhado de homens, porque a vitória no combate não depende do número, mas da força que vem do Céu”. (1 Mac 3, 18-19)

1-Aggie Neck é professora de Escritura, atualmente Conselheira do CNS de EE. UU. e diretora de uma casa de oração carismática católica.

ICCRS – Volume XXXVII, número 4 – Julho-Setembro 2011 -

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